quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Capítulo 5: Ventos de Mudança (Parte 1)


Depois de um bom tempo, retomei a história que eu estava escrevendo. Só para lembrar, já publiquei quatro capítulos, tenho outros tantos escritos, mas o capítulo cinco não estava pronto. E, na verdade, não está ainda. Comecei a escrever e estou publicando aqui o que seria uma primeira versão. Para quem não leu os demais e quiser dar uma olhada – o que me deixaria muito grata, aliás – é só clicar aqui. O arquivo “Ventos de Mudança” reúne os três primeiros capítulos que correspondem aos arquivos com o nome de “Wind”.

A história, que tem como título provisório “Ventos de Mudança”, se passa em um mundo pseudo-medieval, e tem como personagens principais um grupo de jovens convocados para uma missão, que é resgatar um príncipe que está aprisionado ou bem guardado, vamos ver, e colocá-lo no trono, destronando a Rainha que usurpou o trono, praticando uma série de violências. Para isso, precisam obter armas mágicas que estão no castelo da Rainha das Fadas. Parte do grupo já está lá, mas outros ainda precisam vencer os últimos obstáculos. No entanto, a espada mais poderosa não pode ser dada, ela precisa ser conquistada e só pode ser usada pela princesa Marina, que não sabe porque ela, que não tem talento algum, precisa se meter nesta confusão. Resumo bem bobo e rasinho. Mas é o que eu posso produzir no momento.

Agradeço a quem está lendo a história, quem ainda está disposto/a a continuar. Agradeço pelas críticas e sugestões, especialmente em uma primeira versão. Segue a primeira parte, a segunda deve vir na semana que vem. :)

5º Capítulo: Dúvidas, Angústias e Alguma Teimosia - Parte 1


— É lindo! — Marina estava fascinada pelo palácio que se projetava rumo aos céus. Suas torres feitas de cristal tinham formato de agulhas e os arcos davam a impressão de leveza que ela jamais vira em lugar algum.

A mulher que alta que estava nos portões do palácio olhava de forma curiosa para o grupo. Ela trajava um vestido esvoaçante cor salmão, da mesma cor do véu que estava preso ao seu penteado. Ela não era particularmente bonita, mas tinha um olhar penetrante e um ar superior.

— Sejam bem-vindos! — Ela disse se aproximando e olhando somente para Marina. — Fez um bom trabalho, Palma. — A outra se curvou.

— A senhora é a Fada Ádina, certo? — Eu queria saber...

— Sim, sim... Há muito que você precisa saber. — Ela olhou para Alan que estava ferido. — Mas teremos tempo mais tarde. Eu sabia que iriam conseguir chegar até aqui. Mas isso é só o começo. — Ela olhou para o rosto de Elaine. — Você... — A menina fez uma mesura. — Vi o que você fez. Foi uma falha... Deveríamos ter percebido antes e trazido você para cá.

— Senhora, eles precisam descansar. — Palma interveio. — O jovem Alan se feriu, a princesa e os demais precisam de cuidado, também.

— Verdade. E o grupo não está completo... Eu preciso de todos aqui para que recebam as armas mágicas. — Ela tocou no rosto de Marina. — Você parece com sua mãe. Ela era assim como você quando a vi pela primeira vez. — “Não sei no que parecer com minha mãe poderá nos ajudar a vencer esta missão.”, Marina pensou.

XXX
Marina ficou feliz em poder tomar um banho. Os aposentos que lhe deram eram amplos e confortáveis. A banheira estava cheia, a água era quente e os sais relaxantes. Tudo estava acontecendo tão rápido e, ao mesmo tempo, a tal missão parecia um completo mistério. “Como eu, entre todas as pessoas, fui escolhida para liderar uma missão que parece tão importante? E este irmão que nunca vi? Será tudo isso real? Será uma armadilha?” Ela tocou o pescoço e percebeu que estava machucado onde Richard tinha apertado. Certamente, o ferimento e a dor eram reais. “E ele poderia ter partido meu pescoço com facilidade...”

— Preciso de um espelho... — Ela falou alto para si mesmo.

E não precisou levantar, pois um espelho materializou-se no ar na sua frente. Ela perdeu o fôlego. “Será que tudo o que eu imaginar irá aparecer? Não creio...” Na verdade, ela queria dormir, mas estava tão ansiosa que sabia que isso não seria possível. “Preciso relaxar... Preciso relaxar...”

Ela examinou o pescoço. Estava bem roxo realmente, mas era só isso. Iria passar e sua pele voltaria a ser tão branca quanto antes. Mas estava assustada com o que vira. Sir Richard não era humano! Como poderia ser aquilo? Mas se mágica existia, talvez todo um mundo de coisas estranhas estivesse escondido. E, claro, havia coisas que ela não gostaria de encontrar. “E ele odeia Alan...” E ela sentiu o rosto corar. Porque estava começando a gostar de seu primo, sabia disso, que o achava atraente, apesar de saber o quanto ele era grosseiro... Respirou fundo... Não era apropriado ficar delirando nua dentro de uma banheira. Bateram na porta. Marina levantou e foi envolvida por uma toalha macia... A mais macia que já tocara sua pele.

— Quem é?

— Sou eu, Elaine.

— Pode entrar. — Marina saiu da banheira e sentou-se em uma cadeira que estava próxima.

Elaine entrou. Havia tomado banho também e estava com roupas limpas. Um vestido simples cor de açafrão que caia abaixo dos joelhos e tinha um aspecto confortável.

— Você está bem? Seu pescoço está muito machucado.

— Ah... Não muito. — Fez pausa. — Ele poderia ter quebrado o meu pescoço se quisesse. Seu vestido é bonito. Gire para que eu veja. — A outra obedeceu. Marina retomou seu ar original e observou. — Fica bem em você. Combina com o tom da sua pele e com seus olhos. Mas tente andar com a coluna mais ereta e... Ah! — Elaine olhava para a prima que levantou correndo. — Quero ver que roupa me deram!

Elaine apontou para um conjunto sobre a cama. Marina correu e pegou a roupa só para exclamar desolada.

— Eu não vou vestir isso! Jamais!

XXX
— Onde estamos? — Perguntou Guilherme mais para si do que para os outros. Eles tinham aberto uma porta de um lado e saído no meio de uma floresta. E, um instante depois, a porta desaparecera como se nunca ali estivesse. A floresta era escura e parecia pouco acolhedora.

— Floresta do Amanhecer, é onde estamos. — Falou Alda olhando em volta. Ele não respondeu e Alda ficou imaginando por quanto tempo aquele cretino manteria a sua birra. Ela decidiu que iria ignorá-lo, também. O que incomodava Alda era não ter certeza de quanto tempo tinha se passado. Pareciam poucos minutos, no entanto... Erik olhava em volta apreensivo e Alda perguntou:

— O que foi? Há alguém nos observando? Eu sinto como se...

— Acho que existe muita gente nos observando, Milady. — Ele respirou. — Olhe como Flecha está indócil. — A águia realmente parecia ansiosa. — Só espero que sejam amigos... Ou pelo menos alguém que não nos dê atenção.

XXX
Elaine levou Marina até a enfermaria, ou algo que parecia com uma. Lá encontraram Haroldo e Alan que parecia estar bem.

— Essas fadas têm remédios muito bons. — Haroldo observou enquanto admirava uma fileira de potinhos feitos de cristal colorido sobre uma prateleira.

— Todos os meus ferimentos cicatrizaram muito rápido... — Alan sentia-se humilhado. Richard fizera dele o que quisera e poderia tê-lo matado num instante, como ele bem sabia. Quando entrara na enfermaria tinha tantos cortes e espetadas, tantos ferimentos ridículos e ao mesmo tempo dolorosos, que sabia que qualquer um deles, se Sir Richard tivesse desejado, poderia ser fatal. “Mas ele não queria acabar comigo de uma vez... Ele não me julga um oponente a sua altura.” E algo dentro dele dizia que não era mesmo...

— Você está muito bonita com seu vestido novo, Elaine. — Haroldo comentou percebendo o rosto sombrio de Alan. Foi uma forma de trazê-lo de volta à realidade. Alan se recompôs e concordou com ele:

— Sim, as roupas que nos deram são muito confortáveis. E você está realmente muito bonita, Elaine. Melhor assim do que com roupas de criada. — Ele levantou. — Não deram roupas novas para você, Alt... Marina.

— Deram, mas não gostei delas. — Ela ergueu o rosto. — E nada vai me fazer usá-las.

— Por que? — Haroldo perguntou curioso.

— Ora... — Ela fechou a cara.

— Ela achou que não eram roupas para uma dama... — Elaine comentou sem entrar em detalhes e os dois rapazes ficaram olhando com um ar entre curioso e divertido, pois Marina parecia realmente decepcionada e ofendida.

— Me deram roupas de homem. Eu não irei andar por aí vestida como um homem.

— Não eram roupas de homem, Marina. — Elaine interveio. — era uma túnica muito bonita...

— E curta e minhas pernas ficariam à mostra...

— Mas havia os culotes, e as botas... — Marina virou a cara.

— E você vai precisar montar. — Alan falou. — E provavelmente teremos que procurar seu irmão pelo reino. E você não poderá montar como uma dama, atravessada na sela se precisarmos correr... — Ele fez pausa. — E lutar.

— Eu não sei lutar. E também não monto bem, nem como uma dama, e muito menos à cavaleiro. — Ela falou com voz trêmula. — E não vou andar por aí mostrando minhas pernas como se fosse...

— Qual o problema afinal? — Haroldo provocou. — Suas pernas são tão feias que você não quer que os outros vejam?

— Ora... Minhas pernas são muito bonitas se é que isso é de sua conta... — E ficou vermelha, porque Alan soltou uma gargalhada e percebeu que Haroldo estava debochando dela. Somente Elaine estava tentando se manter séria.

— Vocês... Eu não vejo muito futuro nessa tal missão. — Ela falou com sua dignidade ferida e medo, muito medo. Alan tentou ser firme, porém gentil:

— Mas agora não há como voltar atrás. E quer você queira, quer não, parece que nosso sucesso depende de você. — Ela ficou pálida. — E terá que fazer um esforço para montar e lutar. E, talvez, as roupas que lhe deram ajudem. Alda não teria problemas...

— Eu não sou Alda!

— Ah, sim. Certamente não é. — Completou Haroldo, pouco antes de uma das fadas, aquela que tinha salvo a vida deles aparecer na porta do aposento com seu ar solene.

— A Fada Ádina deseja vê-los. — Ela olhou para o rosto de cada um deles e mediu Marina com severidade. — Não há tempo a perder.

6 pessoas comentaram:

Oh, não tinha visto.

Avise no twitter.

è bom rever os personagens.

No Twitter, não. Eu tenho vergonha. #)

Tudo bem.

Eu twitteio (ou se la qual for o verbo novo) p/ vc. ^^

Ah, que legal! Finalmente!!!
:D

Postada a segunda parte. :) Desculpem o atraso.

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